O impacto da música no bem-estar emocional e comportamental de cães e gatos

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A música sempre esteve profundamente ligada às emoções humanas. Ao longo da história, ela acalma, estimula, conforta e ajuda a organizar estados internos difíceis de nomear. No entanto, aquilo que por muito tempo foi visto apenas como uma experiência humana passou, nos últimos anos, a ser compreendido também como um recurso importante para o bem-estar emocional e comportamental de cães e gatos.

Paralelamente a isso, em um mundo cada vez mais urbano, barulhento e acelerado, os pets são expostos diariamente a estímulos sonoros intensos e desorganizados. Diante desse cenário, compreender como o som atua sobre o sistema nervoso animal — e, sobretudo, como a música pode funcionar como reguladora emocional — torna-se, portanto, um cuidado essencial dentro de uma abordagem integrativa.

Como cães e gatos percebem o som de forma diferente

Antes de tudo, é importante lembrar que o sistema auditivo dos animais é muito mais sensível do que o nosso. Enquanto isso, cães conseguem ouvir frequências significativamente mais altas que os humanos e, no caso dos gatos, a audição é ainda mais refinada, sendo capaz de captar sons distantes e extremamente sutis.

Na prática, isso significa que ruídos que, para nós, passam despercebidos podem, por outro lado, ser interpretados por eles como intensos, invasivos ou até ameaçadores. Além disso, sons constantes, variações abruptas de volume e frequências agudas ativam o sistema de alerta do cérebro, fazendo com que o animal permaneça em estado de vigilância prolongada. Com o tempo, essa sobrecarga sensorial tende a se manifestar em ansiedade, agitação, comportamentos repetitivos ou, em alguns casos, apatia.

O que a ciência já descobriu sobre música e comportamento animal

Pesquisas científicas vêm demonstrando que a música influencia diretamente o comportamento e os níveis de estresse de cães — especialmente em ambientes com alta carga sensorial, como abrigos, clínicas veterinárias e residências urbanas.

Um dos estudos mais citados na área é o de Deborah L. Wells (2002), publicado no Journal of Veterinary Behavior. A pesquisa observou cães em abrigos e constatou que, quando expostos à música clássica, eles apresentaram redução significativa de comportamentos associados ao estresse, como latidos excessivos e inquietação, além de passarem mais tempo deitados e em repouso.

De forma semelhante, um estudo conduzido por Kogan, Schoenfeld-Tacher e Simon (2012), da Colorado State University, analisou os efeitos da estimulação auditiva em cães alojados em canis. Os resultados indicaram que músicas suaves estavam associadas a comportamentos mais calmos, enquanto sons intensos ou estilos musicais mais agitados aumentavam sinais de excitação e tensão.

Esses achados reforçam algo que muitos tutores já percebem na prática: o som molda o estado emocional do animal, mesmo quando não estamos conscientemente atentos a ele.

Tipos de música e seus efeitos no estado emocional dos pets

Nem toda música, porém, promove relaxamento. Estudos e observações comportamentais indicam que sons com ritmo lento, poucas variações abruptas e estrutura harmônica previsível tendem a favorecer estados de calma. Nesse cenário, a música clássica aparece com frequência associada à redução do estresse e à diminuição de comportamentos agitados.

Da mesma forma, sons naturais — como água corrente, vento suave ou frequências ambientais contínuas — costumam ser bem tolerados, pois não ativam o sistema de alerta do cérebro. Em contrapartida, músicas com batidas rápidas, graves intensos ou mudanças bruscas de ritmo podem gerar excitação excessiva, especialmente em cães mais sensíveis ou já sobrecarregados sensorialmente.

Sons que aumentam o estresse e devem ser evitados

No cotidiano atual, televisões ligadas por longos períodos, vídeos com estímulos rápidos, notificações constantes, obras e música alta acabam criando um campo sonoro fragmentado e imprevisível. Para cães e gatos, consequentemente, esse tipo de ambiente favorece a sobrecarga sensorial e dificulta, de forma significativa, o descanso profundo.

Dessa forma, mais do que simplesmente adicionar música, muitas vezes o cuidado começa por reduzir ruídos desnecessários, estabelecer pausas conscientes de silêncio e, assim, permitir que o sistema nervoso do animal encontre momentos reais de recuperação e reorganização.

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Música como apoio na ansiedade de separação e em momentos sensíveis

Nesses contextos, como ansiedade de separação, mudanças de rotina, visitas ao veterinário ou períodos intensos — a exemplo de festas e fogos — a música pode atuar como um suporte emocional. Ao mesmo tempo, ela cria uma sensação de continuidade no ambiente, reduz a imprevisibilidade e ajuda o pet a se sentir mais seguro.

Ainda assim, é importante reforçar: a música não substitui vínculo, presença nem enriquecimento ambiental. Em vez disso, ela funciona como um apoio complementar dentro de um cuidado mais amplo e consciente.

A relação entre som, sistema nervoso e bem-estar emocional

De forma geral, o som é uma informação direta para o cérebro. Dependendo da frequência, do ritmo e da constância, ele pode sinalizar segurança ou ameaça. Quando bem escolhida, a música ajuda a reduzir a ativação do sistema nervoso simpático e favorece estados de relaxamento, confiança e equilíbrio emocional.

Assim, falar de música para pets é falar de regulação emocional, qualidade de vida e saúde comportamental.

Como observar se a música está ajudando o seu pet

Antes de tudo, cada animal responde de forma única. Em geral, sinais positivos incluem respiração mais lenta, postura corporal relaxada, bocejos espontâneos, menor inquietação e mais facilidade para descansar. Por outro lado, sinais de desconforto podem surgir como tentativa de se afastar da fonte sonora, vocalização, agitação ou aumento da tensão corporal.

Por isso, a observação atenta do tutor é parte fundamental desse processo.

Boas práticas para introduzir música na rotina

Comece com volume baixo, em momentos naturalmente tranquilos. Prefira horários previsíveis, evite mudanças bruscas de estilo e observe a resposta do animal ao longo dos dias. Muitas vezes, poucos minutos de som adequado são mais eficazes do que longos períodos de estímulo contínuo.

Quando a música pode não ser indicada

Em situações de dor intensa, estresse extremo ou hipersensibilidade sensorial, o silêncio pode ser mais terapêutico do que qualquer som. Nesses casos, reduzir estímulos e oferecer um ambiente estável costuma ser a melhor escolha.

Música como cuidado consciente

Quando utilizada com intenção, a música deixa de ser ruído de fundo e se transforma em uma ferramenta sutil de cuidado emocional. Ela não cura sozinha, mas acolhe, organiza e sustenta estados internos mais equilibrados.

No fim, tudo começa pela escuta — inclusive daquela que acontece no silêncio.

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