
A ideia de que animais “pressentem” mudanças climáticas antes dos humanos é antiga e muito comum entre tutores. Cães que ficam inquietos antes de uma tempestade, gatos que se escondem sem motivo aparente, aves que mudam o comportamento horas antes de uma chuva forte. Durante muito tempo, esses relatos foram tratados como achismo ou folclore.
No entanto, a ciência mostra que há, sim, fundamentos biológicos e comportamentais por trás dessas percepções.
Sentidos mais apurados, respostas mais rápidas
De modo geral, animais possuem sistemas sensoriais muito mais sensíveis do que os humanos. Por isso, conseguem perceber variações sutis de pressão atmosférica, temperatura, umidade e até alterações eletromagnéticas que antecedem mudanças climáticas, como frentes frias, tempestades ou ondas de calor.
Enquanto isso, os humanos dependem de instrumentos para detectar essas alterações. Já muitos animais respondem diretamente a esses sinais físicos. Assim, fica mais fácil entender por que mudanças de comportamento surgem antes mesmo de o clima mudar de forma visível.
O que os estudos observam
Pesquisas em ecologia comportamental indicam que mudanças ambientais afetam o comportamento animal de forma consistente. Estudos que analisaram centenas de espécies mostram que quedas na pressão barométrica, por exemplo, estão associadas a aumento de inquietação, busca por abrigo, diminuição da atividade exploratória ou alterações no padrão de descanso.
Além disso, pássaros tendem a alterar rotas de voo antes de tempestades. Da mesma forma, mamíferos — incluindo cães — podem apresentar sinais de agitação, vocalização excessiva ou maior necessidade de proximidade com o tutor. Nesses casos, é importante destacar que esses comportamentos não são previsões conscientes. Pelo contrário, tratam-se de respostas fisiológicas automáticas a estímulos ambientais.

Pets também sentem — e demonstram
No ambiente doméstico, cães e gatos continuam biologicamente preparados para responder a mudanças externas. Em dias que antecedem tempestades, ondas de calor ou quedas bruscas de temperatura, é comum observar:
- maior sensibilidade a sons
- dificuldade para relaxar ou dormir
- busca por esconderijos ou por contato constante
- alterações no apetite ou na disposição
Essas respostas variam de animal para animal, dependendo da sensibilidade individual, do histórico emocional e do nível de segurança no ambiente.
Não é previsão, é adaptação
É importante fazer uma distinção clara: animais não “preveem” o clima como um meteorologista. O que eles fazem é detectar sinais físicos que antecedem mudanças ambientais e reagir a eles de forma adaptativa.
Essa capacidade é resultado de milhões de anos de evolução, nos quais perceber rapidamente alterações no ambiente significava sobrevivência.
O que isso nos ensina como tutores
Observar o comportamento do pet diante de mudanças climáticas é uma forma valiosa de cuidado. Inquietação repentina, medo excessivo ou alterações de humor podem estar ligadas ao ambiente — e não apenas a fatores emocionais ou comportamentais isolados.
Ambientes mais previsíveis, redução de estímulos intensos, suporte emocional e respeito ao ritmo do animal ajudam o sistema nervoso a lidar melhor com essas variações externas.
No fim, a ciência confirma algo que muitos tutores já percebem no dia a dia:
os animais estão profundamente conectados ao ambiente — e muitas vezes sentem antes aquilo que nós só percebemos depois.


